Mostrando postagens com marcador menino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador menino. Mostrar todas as postagens

27 abril 2012

Paquetá

Aquele pé quebra no galho,
o nosso pé brota nas mãos.
Dedos enlaçados num amor-chocalho,
apertados numa multidão de nervos.
É o pé do amor, este (olham-se nos dedos)
que nasce e cresce sem medo.
.
O pé nas mãos germina cedo,
nasce um botão de zelo, para cuidar.
Colorido da diferença dos nossos temperos
num assimétrico coração aberto,
que agora diz, me jurando que é sério:
'Ocupado, coração sem espaço'.
O sorriso é largo, eu mostro os dentes fácil
(ele fita seus dentes e faz ar de mistério).
.
No riso, tiro a sandália e ando descalço na terra.
As cortinas de chita voam, bonitas,
nas casas que estão com a janela aberta.
O pé tá nas mãos, enraizado pós-primavera.
.
Plantados numa multidão de areia e mar,
com chão de pedra, pro cavalo galopar,
você me pede: 'Segura forte minha mão,
não solta nunca mais, 
temo a falta que você me faz'
(eles se abraçam bem debaixo do baobá).
'Não censuremos nossas asas', 
digo, com o dedo encaixado no seu umbigo.
A gente se beija, eu fico sem ar.
.
Rega de calor, para o pé não secar,
refresco de fim de tarde (olham-se nos passos).
'Me espreme forte entre seus braços'.
Com o pé do amor crescente à lua,
minha vergonha declara em segredo: 
'Serei pra sempre seu melhor avesso,
sou pra sempre sua'.
.
(Dão-se as mãos, engalhadas num monte de raízes).
.
Da vontade de ser todo dia um sempre começo,
seguem uma vida toda naquelas ruas.
Levam na bagagem aconchegos, corações e cicatrizes,
umas minhas, poucas nossas, outras suas.

'Paquetá' | nanquim + texturização digital | texto 2012 | ilustração 2012

Ouça 'Paquetá' aqui:

15 janeiro 2012

Me Absorva


Me dê seu coração
para eu esmagá-lo entre os dedos.
Entregue-me ainda pulsando.
Se entregue tremendo de medo.
Derreta dentro e fora de mim...
Me absorva
que hoje eu tô transparente, rapaz.
Minta,
diga que não quer ninguém nunca mais.
.
Devoro esse sorriso
que ri junto com o olhar.
Uma chuva de sonhos fura o meu guarda-chuva.
- Deixe essa água me molhar!
Não quero toalha,
quero que só você me absorva,
que hoje eu tô sua demais.
Quero que minta.
Me diga que pra sempre a gente se refaz.

''Me Absorva' | nanquim + texturização digital | texto 2012 | ilustração 2012

Ouça 'Me Absorva' aqui:

27 abril 2011

Noturna

Debruçou-se sobre o cálice de vinho
que tinto escorreu pelo seu corpo
Cada curva circundava suas veias
Pulso a pulso titubeava verdades perfeitas
Olhava pela fresta com o verde que ensaiava tenso
Nua, se vestia com o meu abraço lento
Num choro quieto, sorriu entre feridas
Perguntou meu signo, falou de arte e contou como levava a vida
Seu olhar vagueava pela sinfonia estreita
Meu corpo permanecia fechado a ideias mal feitas
Seu deslumbre
um papo
o lençol manchado
Cada viagem interna era um assunto calado
A noite percorreu cegando
À lua, o sono veio germinar o acalanto
Deitou-se no meu colo sem pensar em mais nada
Adormecida, eu a deixei ali, sobre aquela cama molhada

'Noturna' | nanquim sobre papel reciclado + sobreposição e pintura digital | texto 2011 | ilustração 2011

Ouça 'Noturna' aqui:



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...