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26 março 2012

Feito Farpa

Quero me perder
no aperto do seu abraço.
Quero me sentir sem juízo
e alimentar a minha sede
com o seu sorriso.
Quero mais,
muito mais que isso!
.
Digo no seu ouvido
algumas frases trêmulas e roucas:
   Vou me entregar feito louca.
   Vou grudar feito farpa.
   Vai...
   carrega com o seu corpo
   todas as minhas marcas.
.
E se me encontrar,
quero me perder de novo,
Sem juras e sem correntes
no silêncio meu, seu...
Nesse eco da gente.


'Feito Farpa' | nanquim + texturização digital | texto 1998 | ilustração 2012

Ouça 'Feito Farpa' aqui:


15 março 2012

Quase Amarela


Quem é aquela
das madrugadas,
nas caminhadas,
sorriso maior que a cara
cor de rosa quase amarela?
.
Com conversas jogadas,
entre os dentes separados,
no meio da língua molhada,
namoradeira acenando na janela...
.
Olhos d'água cheios de vazio,
gotejando sal, cristalizando açúcar,
os cílios dos cantos juntando remelas.
.
Sumida dos meus arredores,
encontrada junto de você.
Aquela que está no seu coração
e no meio das suas pernas.
.
Consumi os meus dias antigos
um depois do outro,
que nem cigarro dos aflitos;
trago quente e descongela.
.
Hoje quero andar por aí sem pensar no depois...
Pois já não sou mais eu,
agora serei ela.

'Quase Amarela' | nanquim + texturização digital | texto 2012 | ilustração 2012

Ouça 'Quase Amarela' aqui:

11 agosto 2011

Apneia


sob o leve torpor do sol
caminho beirando o mar
na areia vou despindo
as noites torpes que me esconderam
canto versos desmedidos
frases duras
para fases amargas
o som consoante
impregna em mim
quisera arrancá-lo de dentro
quisera botá-lo pra fora
faço pose de calada
mas berro pro mundo
e berro agora
um mergulho e não ouço mais
nem silêncio, nem barulho
o oceano nada entre os meus dedos
salgo a pele, molho tudo
escondo os arrepios 
que me ferem a pele
afogo-me nas ilusões 
do que temo verdadeiro
o mar apaga as minhas pegadas
o breu apaga o meu corpo inteiro

''Apneia' | nanquim + canetinha + sobreposição digital | texto 2011 | ilustração 2007

Ouça 'Apneia' aqui:

07 julho 2011

Perfume

aquela rua estava com um aroma
vagamente familiar
senti o teu cheiro de longe
farejei-te no ar
tomou-me leve embriaguez
ao lembrar de nós dois
e do teu perfume francês
a leveza daquela tarde
varrida por uma brisa tão suave...
aquela música que tocava...
o meu coração descompassado...
  fora de quadro
  fora da lei
ah, esse perfume...
ah, como eu te amei.

'Perfume' | nanquim + lápis de cor + vetor + sobreposição digital | texto 1998 | ilustração 2011

Ouça 'Perfume' aqui:

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